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sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Os Ipês, as flores e o perfume de nossa mãe!

 

14/08/2020

Os ipês, as flores e o perfume de nossa mãe!

Hoje resolvi compartilhar dois episódios vividos após a passagem de minha mãe, pois foram muito significativos para mim.

Antes de tudo isso acontecer, ainda no início do ano, acredito que entre janeiro e fevereiro, minha mãe me pediu um ipê amarelo, porque ela já tem um lilás que plantou na frente da casa. Mas, ele nunca floresceu como ela gostaria, coloca apenas algumas poucas flores. Corri para conseguir os ipês, e não apenas para ela, mas também para plantar em uma escola próxima a universidade.

Ao chegar em casa com um ipê, ela pediu que eu deixasse no saquinho para organizarmos a terra e o recipiente no qual ela faria a primeira muda. Assim, foi feito e no mês de maio fizemos a primeira muda para quando fosse lá para o final do ano colocar no lugar definitivo, o sonho dela era misturar os dois ipês na frente da casa. Aqui é para introduzir o amor de minha mãe pelos ipês que ficaram com o calor de suas mãos.

Seguindo a narrativa, lá em casa também tem um viveiro de plantinhas, que minha mãe geralmente ficava passando seu tempo conversando com elas, mudando e mexendo com a terra.

Logo após sua passagem, eu fiquei quase todos os dias admirando as plantinhas, todas belas e coloridas, as mudas de rosas eram as que ela mais amava. Mas, tem azaleias, crisântemos, rosas do deserto, cactos, flor de maio, gérberas, e outras espécies bem populares de flores pequeninas. Também tem jasmim imenso de cheiro exuberante e touceira de resedá rosa.

Uma tarde de agosto, estou eu triste olhando para as plantinhas e sentada na cadeira dela, quando uma amiga querida ligou para mim, e ali conversámos bastante, ela também fez orações por mim e me alimentou espiritualmente, em meio aquelas sensações, ela pediu que ficasse próximo ao local que minha mãe gostava, eu fui e me aproximei do canteiro, por incrível que parece veio o perfume tão intenso de rosas que eu não aguentei e comecei a chorar e dizer para ela o que estava sentindo. Imediatamente ela respondeu que era o amor e o cuidado espiritual de minha mãe que estava ali comigo, o qual é transmitido por meio da essência de Deus, que é puro Amor. Falou também, que nunca esquecesse do quanto minha mãe semeou em nós, dá vida que ela deixou e de que esse aroma intenso de força e amor precisava ser espalhado pelo mundo.

Recebi um refrigério em meu coração e comecei a entender que nem tudo está perdido.

No dia seguinte, eu falei com meu irmão ao telefone, ele também estava distante e falávamos de assuntos diversos. De repente, ele disse que queria compartilhar algo sobre minha mãe. Fiquei quietinha e esperei ele escrever, foi quando ele disse: “vinha dirigindo o carro e lembrando da irmã Maria (nossa mãe) era por volta das 9:30h da manhã, estava passando justamente em frente a reserva indígena (ele tinha dito antes que a reserva tinha meu nome), daí olhei para o outro lado da estrada, solitário e ao mesmo tempo importante, adivinha o que eu vi? Um ipê amarelo, lindo!! Fiquei pensando: essa irmã Maria me apronta cada uma.”

Foi justamente a partir desse momento que resolvi começar a escrever, pois sei que nossa mãe está para sempre em nós. Disse para ele: “Que lindo meu irmão, é a presença dela a nos fortalecer e proteger. As mães não morrem, ficam encantadas. Tudo o que elas nos ensinaram vai ficar mais forte e nos fará enxergar os milagres de Deus em toda grandeza do universo”.

Decidi que só escreveria esse texto quando meu irmão chegasse de viagem, ele chegou. Graças a Deus!

Agora estou aqui escrevendo para deixar registrada a presença maravilhosa de nossa mãe. Daqui uns dias vou mudar o ipê para o lugar definitivo, assim ficara o velho fortalecendo o mais jovem, e a vida seguirá o seu curso, até o final dos nossos dias será assim, nós, nossa mãe, as flores e o perfume que é algo para além da experiência física.

Os ipês geralmente, são árvores frondosas que possuem uma floração exuberante e se derrama pelo chão formando um lindo tapete, esse belo espetáculo geralmente ocorre entre os meses de julho a setembro. Creio que assim é nossa mãe, um belo tapete esparramado pelo chão nos levando a lugares nunca antes imaginados, porque a força dela está conosco, é madeira de lei, semelhante aos ipês. “Quando entrar setembro...!”

 

Obrigada mãezinha!




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